O Que Não Fazer em 2026

2026 enfim chegou, e é natural que as pessoas comecem o ano fazendo planos, traçando metas, estabelecendo objetivos e alimentando sonhos. Pensamos nas coisas boas que queremos realizar: cuidar melhor da saúde física, voltar para a academia, quitar dívidas, estabelecer metas de leitura, planejar viagens e aproveitar as oportunidades que podem surgir ao longo dos próximos doze meses.

Para nós, brasileiros, este ano tem um peso especial. É ano de eleição presidencial e ano de Copa do Mundo de futebol masculino. Ao refletir sobre esses dois eventos, percebi que talvez o melhor exercício para 2026 não seja apenas pensar no que de bom podemos fazer, mas também no que precisamos deixar de fazer.

Especialmente para nós, cristãos, talvez seja o momento de direcionarmos nossas forças para lutar de forma mais consciente contra pecados que, muitas vezes, já se tornaram rotina em nossas vidas. E os dois eventos citados acabam tocando diretamente em um pecado específico: a idolatria.

Idolatria é atribuir a qualquer coisa criada — pessoas, objetos, ideias ou desejos — a confiança, o amor, a obediência e a devoção que pertencem somente a Deus. É comum pensarmos que idólatras são apenas pessoas de outras tradições religiosas, mas esse pecado pode estar muito mais próximo de nós do que imaginamos. A idolatria não se limita a imagens ou esculturas; ela envolve tudo aquilo que ocupa, no coração humano, o lugar que deveria ser exclusivamente do Senhor.

Muitas vezes permitimos que a idolatria se infiltre em coisas aparentemente triviais, como o futebol, por exemplo. É comum chamar jogadores que marcaram a história de um clube de “ídolos”. Confesso que isso sempre me incomodou. Como torcedor e admirador do esporte, tento evitar esse termo, pois sei que, se não houver vigilância, o clube de futebol facilmente pode se tornar um ídolo no coração. 2026 é ano de Copa do Mundo, e também um ano oportuno para refletirmos sobre a idolatria real que existe entre nós quando o assunto é futebol.

Além disso, é ano de eleição. Nos últimos anos, o período eleitoral tem se transformado em verdadeiro campo de batalha. Amigos deixam de se falar, famílias se dividem, irmãos se colocam uns contra os outros, pais contra filhos. Jesus afirmou que divisões aconteceriam por causa do seu nome — mas o que temos visto é algo diferente: divisões causadas pela política, ou pior, pela idolatria de políticos.

Idolatrar políticos é algo assustador. Ainda assim, tornou-se tão comum que entristece profundamente. No meio evangélico, muitas vezes basta um candidato citar três ou quatro versículos isolados e fora de contexto para ser rapidamente rotulado como candidato de “deus” — sim, com “d” minúsculo mesmo. Púlpitos se transformam em palanques políticos, e isso é profundamente triste e abominável. Falar sobre política tem seu valor; idolatrar a política, não. Isso é pecado.

Existem diversos tipos de idolatria que frequentemente passam despercebidos em nossas vidas. Neste texto, citei dois exemplos que se tornarão ainda mais evidentes em 2026, mas há outros igualmente perigosos. Um deles é a idolatria religiosa, que muitas vezes se disfarça de zelo pela fé, mas nada mais é do que a exaltação da religião como se ela fosse um deus. Outro, ainda mais grave, é a idolatria de líderes religiosos, que além de ser pecado para quem a pratica, abre espaço para abusos espirituais e morais.

Nosso coração é uma fábrica de ídolos. Por isso, precisamos permanecer atentos e vigilantes, buscando sempre alinhar nossa vida à Palavra de Deus — e não aos impulsos do nosso próprio coração, que tantas vezes se mostra enganoso.

Deixe um comentário